sexta-feira, 13 de maio de 2011

Baudrillard e o destino da energia


Por Germano Xavier

(O teorema da parte maldita)

Estamos diante de uma transição de fase, de uma evolução. É o que defende o sociólogo e fotógrafo Jean Baudrillard, nascido em Reims (França), em 1929. Evolução essa de dimensões catastróficas. Estamos vivendo num mundo em que a "cultura" atual tem como característica fundamental ser um processo (imutável) de liberação de energia, diferentemente das "culturas" anteriores, e o homem agora é parte integrante desses processos. Baudrillard apresenta os processos energéticos produzidos pelo homem e questiona até onde vai o poder do ser humano de aprimorar, aperfeiçoar esses processos. Ele diz que uma mesma energia produzida para o bem da humanidade, se não controlada ou acelerada pode tomar proporções contrárias e acabar por destruí-la. Como exemplo temos a bomba atômica lançada sobre Hiroshima e o acidente na usina nuclear de Chernobyl (consequências da liberação de grandes quantidades de energia armazenada). Baudrillard analisa também a relação entre bem e mal. Para ele, o bem consiste em uma dialética entre os dois elementos; em contraste, o mal se derivaria da negação dessa dialética, na desunião radical entre bem e mal. Marcados pela cegueira de seus interesses, os indivíduos modernos tendem a acreditar que o mal nunca é aquilo que eles fazem a outros, e sim o que eles sofrem nas mãos de outros. Assim, os atentados de 11 de setembro de 2001 não são encarnações do mal para aqueles que percebem nessas ações uma resposta ao comportamento dos Estados Unidos com relação a causa palestina ou ao terceiro mundo em geral. Como, também, a invasão ao Iraque não tem nada a ver com o mal para os que a analisam como uma resposta ao terrorismo. Em outras palavras, é uma característica essencial do mal o fato de que possa ser produzido ou sofrido, mas sem que por isso possa ser justificado ou explicado de forma racional e convincente. Resumindo, o mal assinala algo inominado, irracional, para o qual não existem palavras. Sempre muito irônico e polêmico, Jean Baudrillard acha um absurdo ser chamado de pós-moderno, pois para ele o conceito de pós-modernidade já não existe mais, é um conceito tratado de forma irresponsável, de abordagem pseudocientífica dos fenômenos. Caracterizado como um filósofo que procura refletir por caminhos oblíquos, examina a vida como um fotógrafo, como ele assim mesmo se intitula. Grande crítico das imagens, Baudrillard revela em suas fotografias a irrealidade das coisas, a ilusão dos objetos, seu próprio simulacro. Seus principais livros são: O Sistema dos Objetos; A sombra das maiorias silenciosas; Simulacros e Simulação (que baseou a trilogia dos filmes Matrix); América; A transparência do mal; A troca impossível e O lúdico e o policial. Atualmente dedica-se a escrever e proferir palestras.

3 comentários:

Germano Xavier disse...

Crédito da imagem:

"energia by ~victorhbc"
Deviantart

Milton Cardoso disse...

Germano,

Sua resenha me despertou uma vontade enorme de ler Baudrillard. Ainda bem que a Biblioteca da Uneb conta com dois livros dele.

Estou à procura de "Guerra e Paz", de Tolstoi. Você por acaso não o tem? Sinto que é tempo de lê-lo.

Abraço,

Germano Xavier disse...

Crédito da imagem:

"energia_by_victorhbc"
Deviantart