domingo, 15 de maio de 2011

Medando azulidões


Por Germano Xavier

X

si iscafede trejeito corredor!
e nem bem se imaginava o já imaginado
o morenín do mato escapulia dos horizontes
do olho da besta-fera pois que há horas pra tudo
até pra gente ser as coisas do momento
e é justamente nesse instante de labor ebulitivo
que a meninada precisa ser bateria
tudo pra enlarguecer fazer girar
amolecer desastres sonar silêncios
petelecar murmúrios assustar sustos sustosos...

"tudin de mió era sabê qui nóis pode mais
qui as besta-fera é das outridões dus zalém
qui a gente fugueta na hora do bem intendê
e avoa feito bala de beca catada
impurtante é num dexá de nóis fugí os passarinho!"

tinha de deixar avuar pra dentro e pra fora
principalmente pra fora horizontado
pois que dentro é sentido na vermelhura do sangue
da gente não precisava como as distâncias longes
e foi que na mangueira do quintal de casa
Doró daquele jeito ensimesmado
foi ter certeza em alturas que o telhado
do mundo era azul de "azulá os zói"...
subiu cantinhos já marcados por bundas
lugar de brigado sentimento de infância
e lá na cama das "fôia vrede" fitou
em aturdimento esplendoroso a azulidão do monumento

e Doró teve certeza das existências
e teve apaixonância pelos "derrepentes"
e esperou as pequeninices gigantes
e celebrou o embaraço das pernas
e nomeou-se embrulhador de sonhos
sem jamais se esquecer de medar das coisas...

Doró morenín fontudo das bençãos bem dadas
me empresta as chaves?!

2 comentários:

Germano Xavier disse...

Crédito da imagem:

"Menino_by_joaofred"
DEviantart

Controvento-desinventora disse...

Baixou um discípulo de Guimarães Rosa, misinfio?
Interessantíssimo seu texto,cheio de oralidade e vida...retrato da língua de tantas linguagens, prá quem tem olhos livres.