sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Eu, um Alexander Supertramp


Por Germano Xavier

Eu sou uma espécie de Alexander Supertramp, personagem do filme Into The Wild, traduzido para o português com o título de Na Natureza Selvagem. Sim, eu sou. Uma espécie de "superandarilho", como o cara do filme. Porque existem espécies diferentes para uma mesma coisa, todos nós sabemos que sim. Às vezes, muda-se apenas o modo de ser ou fazer com que assim sejamos ou simplesmente nos percebamos. Na Natureza Selvagem, baseado num livro de Jon Krakauer, também autor do best-seller No Ar Rarefeito, é mais do que a narrativa de uma história real. É antes de tudo a narrativa de várias histórias reais, e mais, ou principalmente, de várias histórias que não conseguiram se tornar reais, porque o mundo está repleto de sonhos reprimidos, porque as pessoas desse mundo estão com seus sonhos impedidos por alguma espécie de trava. O corpo em decomposição de um jovem encontrado no Alasca, corpo do homem que causou a história narrada, é antes o corpo de uma revolta perante a cancerígena sociedade em que vivemos. Menino nascido em berço de ouro que abandonou tudo para viver a vida, literalmente, sem destino, com destino. Internado em seu desejo, Alexander Supertramp começa a tentar esgotar as possibilidades dos sentidos a partir do caminhar, do ir, do sentir, do ver, do tocar, do ouvir. Descobre-se gigante. Descobre-se. Vive e morre todo dia. Quem é Alexander Supertramp? Qual o porquê do seu sonho? Por que resolver viver andando? Supertramp foi Chris McCandless, fui eu que já andei e que já fui em busca do que imaginei ser o essencial para mim. Supertramp é a dureza da simplicidade, o simulacro da rudeza da vida. O resultado de um modo de viver alquebrado, doentio, perigoso. Sonho de uma juventude que ainda paira em mim, adormecida num leito de instantes e paciências. Supertramp é o pesadelo da solidão, a amargura do só, o esquecimento do que existe. A rota de quem foge, o estar sendo, o limite entre o confronto e o conforto. E dói saber que suas forças se esgotam mesmo na teima, mesmo diante do salto já dado. Porque cair é consequência de quem voa. Golpe duro a queda. Chega a ser incrível o sentimento da derrota. Insuportável. Até que uma hora você decide parar de ser Supertramp, parar de uma vez por todas. Parar. Parar para continuar andando...

3 comentários:

Germano Xavier disse...

Crédito da imagem:

"http://2.bp.blogspot.com/-xoXh_AppibE/TZnk4PQC-XI/AAAAAAAABB0/J4RuzGBnju0/s400/christopher_mccandless_alex_supertramp.png"

Anônimo disse...

Maravilhoso, como sempre! Muito bom!Inspirador!Natália Macedo

Vilma Pires disse...

Engraçado, quando li o resumo do filme, me lembrei de você mesmo, Germano!!