Por Germano Xavier
(A Antropossociogênese): Pitacos sobre um texto de Edgar Morin.
Parte 1: O caçador sabendo caçar.
A hominização não é um processo linear e uniforme, e sim uma complexa interação de fatores que fizeram e fazem com que a espécie humana se desenvolva e se adapte constantemente. A hominização não é percebida quando tomamos como ponto de partida o tamanho do cérebro. A hominização torna-se possível a partir de uma mudança generalizada, seja no ambiente ou no social, etc...
A mudança da floresta para a savana gerou condições propícias para o aprimoramento das habilidades dos homínidas. O ecossistema torna-se um "professor" em relação ao homínida, e a caça age como instrumento civilizador.
Parte 2: A sociogênese
O modo de se organizarem e de se socializarem foi sendo conquistado e aprimorado durante o passar dos anos. Uma separação entre homens e mulheres foi realizada, destinando-se a cada grupo uma sociabilidade diferente. Surge, a partir de então, o conceito de classe dominante e de compensação de poderes. O homem torna-se chefe, a mulher a ele é subordinada.
A juventude é a porta de entrada para uma sociabilização entre os adultos e os aprendizes. Apesar de não ser considerado uma classe propriamente dita, a juventude ou a adolescência homínida é de uma importância indescritível para o progresso da próspera sociedade (Paleossociedade).
A economia homínida, se é que há economia, baseia-se na caça e na colheita, que já contava com uma organização básica. Vê-se desabrochar uma fonte cultural a partir do esboço de economia vigente entre os homínidas.
Com o aparecimento de uma sociedade organizada, fez-se necessário o advento da comunicação e da criação de uma linguagem (Paleolinguagem), que suprisse as necessidades de interação entre os vários grupos ou classes.
Assim aparece, então, a cultura, que precisa ser transmitida constantemente, dando origem as outras sociedades complexas. A cultura vai tecer a produção de níveis de complexidade em determinada sociedade, representando um aparelho transformador primordial para a evolução das espécies.
Parte 3: "O nó górdio da hominização"
O aumento do cérebro só trouxe benefícios aos homens, por ser o mecanismo que dispomos para acumular conhecimentos, memórias, fatos e aprendizagens. O aumento do cérebro é o mais puro retrato do desenvolvimento e da complexidade sociocultural.
O advento da complexidade sociocultural está intimamente ligado à evolução do cérebro humano, assim como os períodos de vida e as formas de aprimoramento de técnicas e suas posteriores transmissões a outros indivíduos.
A fase adulta não cessa com as aptidões e possibilidades de nossos conhecimentos serem adquiridos. O cérebro, nesta fase, está inacabado, e o homem tem a cultura por natureza.
Parte 4: O inacabamento final
Natureza e cultura andam de mãos dadas, assim como o ecossistema social exerce poder sobre a organização de uma sociedade.
O homem, ao tempo que é polido, torna-se dependente do seu aparelho cultural, e nada mais é que um aprendiz eterno.
Resumo geral
Falar em hominização é falar num colossal processo de interação e de sociabilização, que envolve os seus progressos e suas evoluções, tanto biológicas quanto socioculturais.
Um comentário:
Crédito da imagem:
"Stranger is my own by ~lwc71"
Deviantart
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