sexta-feira, 23 de março de 2012

Autômato-Tempo


Por Germano Xavier 

Um poema para Hugo Cabret

no automático
que giramos a hélice-ponteiro
no automático que brindamos
todos os dias
a morte com corpo de vida
no automático que emprestamos
Tempo
ao Tempo que não temos

no automático
(pulso em movimento)
o mar perde-se dos olhos
a gaivota entoa um sono
e quem navega longa água
é quem suspeita do fim

automático
o homem cronometra o recorde
dos passos automáticos
dos passos autônomos
dos passos passados
dos passos do mesmo homem
sem aço nem vigor

3 comentários:

Germano Xavier disse...

Créditos da imagem:

"Hugo Cabret by ~queenfire"
Deviantart

Isabel disse...

Gostei do poema.
Adorei o filme.
Esta imagem é do livro?
Disseram-me que o livro é muito bonito. Encomendei-o, mas ainda não chegou e nunca vi nenhum, mas confiei na pessoa que o elogiou.
Estou ansiosa para o ter, pois disseram-me que tem muitas imagens e muito bonitas.

Um abraço

Amanda Andrade disse...

A sequencia vive ao lado da ilusão de passos vaziamento cheios.

Beijos lindo, adorei.