domingo, 25 de março de 2012

Circo gera polêmica em Iraporanga-BA

O circo fechou uma das principais vias da vila de Iraporanga, em Iraquara-BA.
Por Germano Xavier


"E hoje, tem espetáculo?", costumava perguntar o palhaço quando passava nas ruas da cidade em cima daqueles carrinhos maltrapilhos, mas muito animados e coloridos. "Tem sim, senhor!", respondia uma voz infantil no mesmo alto-falante já gasto pelo tempo, ao passo que alguns poucos animais eram expostos em passeata. A meninada corria solta atrás daquele ser fantástico de roupas coloridas e de nariz vermelho, que parecia vir de outro mundo (e não vinha mesmo?) e que saía distribuindo balas e guloseimas para todos. Era assim em nossas infâncias quando um desses cirquinhos mambembes aportavam do além-distante em uma de nossas pracinhas. Pronto, estava dado o recado para mais uma noite de pura alegria. A bem da verdade é que o tempo passou e a atividade circense já não encanta mais nossas crianças e adolescentes como outrora. E para não morrer de uma só vez, alguns circos tiveram de adaptar o discurso de suas trapalhadas e acrobacias para o gosto pós-moderno dos tempos de agora, regado com piadas de muito mau gosto, diga-se de passagem, de sentidos ambíguos e puxando, muitas vezes, para o pornográfico gratuito. Alguns pais, desavisados, encaram a aventura e se encarregam de acompanhar os filhos menores que, com raríssimas exceções, adoram e se divertem. Afinal, ali, diante do pequeno picadeiro, é todo mundo em uníssono formando um só cordão de gargalhadas. Nada contra os circos e a atividade circense, muito pelo contrário. Acho até que faltam políticas públicas de incentivo a esta nobre arte, a de fazer sorrir, e que não damos o devido valor a este povo nômade que vive, muitas vezes, na precariedade da condição humana. Todavia, este pequeno artigo opinativo não tem a intenção de falar bem ou mal do circo e de seus atores, mas sim de jogar luz a uma discussão que vem se alastrando nas últimas duas semanas na vila de Iraporanga-BA. O roteiro é aparentemente simples: o circo quis se instalar na vila, conseguiu autorização da Prefeitura Municipal de Iraquara e zás!, como num passe de mágica e com muito pouco tempo estava armado o circo – ou o barraco, para quem assim o preferir -, literalmente, sem que houvesse uma pesquisa mais aprofundada no tocante à privacidade dos moradores do referido local. E aí é que surgiu o problema. Içaram as lonas na entrada da cidade, numa de suas vias principais, e o que é pior, impedindo o tráfego normal de automóveis e pedestres, invadindo frentes e calçadas de casas, dificultando o acesso de alguns moradores aos seus próprios aposentos, além de os prejudicarem com o som alto e desalinhado nos momentos de funcionamento, que geralmente invade as últimas horas da noite nos fins de semana. Ainda na primeira semana de permanência do circo na vila muito se falou, o prefeito compareceu ao local, mas nada foi feito de fato, o circo permaneceu lá, tal qual uma máquina extraviada de um conto do J.J.Veiga, causando estranhamento e muitas dores de cabeça em parte da população. E então, quem está certo, a prudência de alguns moradores ou o autoritarismo de meia dúzia de pessoas? E o direito que temos de ir e vir (temos mesmo?), onde fica tudo isso? E o pessoal do circo, onde fica nessa história? Qual seria o melhor papel a ser feito pela Prefeitura Municipal de Iraquara num caso desses? A quem condenar, o povo, o circo ou o poder? Por que ainda insistimos em não praticar o diálogo antes de intervenções desta natureza? Deixo as perguntas e as respostas nas mãos e mentes de vocês, leitores. Até porque o dia 27 de março, Dia Internacional do Circo e do Teatro, vem chegando aí e só o que desejo é vida longa ao mundo circense, à paz e à compreensão entre os seres humanos.

3 comentários:

Amanda Andrade disse...

As respostas e perguntas qualquer um saberá ver, mas o difícil é a coragem para a ação que muda esses pequenos caos.
Beijinhos lindo.

Jacqueline disse...

Também acho que se devia apoiar mais a arte circense, que a cada dia vemos ficar mais "fraca" e sem espaço para ser executada e admirada. Escrevi um texto uma vez sobre certas coisas que estão ficando raras, e num trecho comentei sobre o circo:

...
"Eu me lembro que algodão-doce era um sonho de se ter, era muito raro de se encontrar pelas ruas um vendedor, somente no circo se conseguia encontrá-los, sempre vestidos de personagens engraçados, e então o dia de ir ao circo era muito mais mágico, doce e especial!
Eu me lembro que as pessoas iam ao circo, e não consideravam isso brega.
Eu me lembro que o circo era realmente mágico naquela época!"
...

Infelizmente, muitas coisas boas e únicas têm sido jogadas no lixo, a troco de parafernálias da tecnologia. O mundo caminha, dizem, mas a verdade é que vemos tanta "involução"...

Abraço!

M.MEIRELES disse...

É INFELIZMENTE A CADA DIA QUE PASSA ESTÃO SE ACABANDO AS PRAÇAS PARA ESTALARMOS CIRCOS E AO EM VEZ DAS AUTORIDADE COMPETENTES NOS AJUDAR MUITOS SÃO AQUELES QUE CRUZAM OS BRAÇOS E NADA FAZEM! ATÉ QUANDO SENHORES DA CULTURA E DAS AUTORIDADES ALIAS CULTURA!!!! ONDE TEM ISTO NO BRASIL?????